Sofreu Acidente de Trabalho? Entenda seus Direitos e a Indenização
Sair de casa para trabalhar e voltar ferido não estava nos seus planos. Quando um acidente de trabalho acontece, a dor física é imediata, mas logo depois surge uma preocupação ainda maior: o medo do futuro.
"Será que vou ser demitido quando voltar?", "Quem vai pagar pelos meus remédios?", "Como fica o sustento da minha família enquanto estou parado?"
Se essas perguntas estão tirando o seu sono, saiba que você não está desamparado. A legislação trabalhista brasileira é rigorosa na proteção de quem se fere a serviço da empresa.
Você pode ter direito à estabilidade no emprego por 12 meses, ao custeio integral do tratamento e, dependendo do caso, a indenizações financeiras (danos morais, materiais e estéticos) que muitos trabalhadores desconhecem.
Mas atenção: para garantir esses direitos, existem prazos e documentos obrigatórios (como a CAT) que não podem ser ignorados. Um erro simples agora pode custar sua estabilidade lá na frente.
Neste artigo, vamos explicar de forma clara e direta tudo o que você precisa saber para proteger sua saúde e o seu bolso após um acidente de trabalho.
A empresa se recusou a abrir a CAT? Saiba que você não depende deles.
Um dos cenários mais comuns (e revoltantes) no acidente de trabalho é a empresa se negar a emitir a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT).
Muitas empresas fazem isso para evitar fiscalização ou impedir o aumento de impostos sobre a folha de pagamento. Mas aqui vai uma informação que eles preferem que você não saiba: a emissão da CAT não é exclusividade do patrão.
Se a empresa não emitir o documento no prazo de 1 dia útil após o acidente, a lei permite que outros façam isso imediatamente. Você pode recorrer a:
O seu Sindicato de classe;
O Médico que te atendeu;
Autoridades públicas (como Delegacias);
O próprio trabalhador (você mesmo) ou seus dependentes.
Por que a CAT é tão importante? Sem a CAT, o INSS pode tratar seu afastamento como uma "doença comum" (Auxílio B-31) e não como "acidente de trabalho" (Auxílio B-91).
A diferença é brutal:
Sem a CAT (B-31): Você não tem estabilidade de 12 meses quando voltar e a empresa não precisa depositar seu FGTS enquanto você estiver afastado.
Com a CAT (B-91): Seu emprego está protegido por um ano após a alta médica e o FGTS continua sendo depositado todo mês.
Além do INSS: As Indenizações que a empresa pode ter que pagar
Muitos trabalhadores acreditam que, ao receber o benefício do INSS, o problema está "resolvido". Esse é um erro que pode custar caro.
O INSS cobre apenas o seu sustento básico enquanto você não pode trabalhar. Porém, a responsabilidade pelo acidente muitas vezes recai sobre a empresa (por falta de equipamentos, fiscalização ou excesso de jornada).
Quando isso acontece, você pode ter direito a indenizações cumulativas na Justiça do Trabalho. Veja o que compõe esse cálculo:
1. Danos Materiais (O Prejuízo Financeiro) Aqui entra o reembolso de tudo o que você gastou por causa do acidente. Guarde todas as notas fiscais de:
Medicamentos e curativos;
Consultas médicas particulares e exames;
Despesas com transporte para ir ao médico ou fisioterapia. Além disso, se o acidente deixou sequelas que reduzem sua capacidade de trabalho, é possível pedir uma Pensão Vitalícia proporcional à perda.
2. Danos Morais (O Sofrimento) É o valor pago para compensar a dor, o abalo psicológico e o trauma sofrido. Não existe um valor fixo, mas o juiz avalia a gravidade do acidente e o porte financeiro da empresa. O objetivo é compensar o sofrimento de ter sua integridade física violada.
3. Danos Estéticos (As Marcas no Corpo) Este é um direito que muitos desconhecem. Se o acidente deixou cicatrizes, queimaduras, perda de membros ou qualquer alteração visível no seu corpo, você tem direito a uma indenização específica para isso.
Importante: O Dano Estético não se confunde com o Dano Moral. Pela lei (Súmula 387 do STJ), você pode receber os dois valores somados.
4. Lucros Cessantes É aquilo que você "deixou de ganhar". Por exemplo, se você perdeu chances de promoção, horas extras habituais ou comissões devido ao afastamento, isso deve ser indenizado.
Atenção: Para conseguir essas indenizações, é essencial provar a culpa da empresa ou o risco da atividade. Por isso, reunir provas (fotos do local, testemunhas e laudos médicos) é fundamental antes de qualquer negociação.
Não enfrente o departamento jurídico da empresa sozinho
Recuperar-se de um acidente já é difícil o suficiente sem ter que brigar por burocracias. Lembre-se: quando um acidente acontece, a empresa geralmente aciona o departamento jurídico dela para se proteger e reduzir custos. Você precisa estar igualmente protegido.
Aceitar o primeiro acordo que oferecem ou assinar documentos sem ler pode significar abrir mão de direitos que garantiriam a estabilidade financeira da sua família por anos.
O que fazer agora? Se você sofreu um acidente de trabalho, tem sequelas ou está com dificuldades para conseguir a abertura da CAT, não deixe o tempo passar. Na Justiça do Trabalho, existem prazos (prescrição) que, se perdidos, extinguem o seu direito de reclamar.
A recomendação é buscar uma análise jurídica detalhada do seu caso. Um advogado especialista em Direito do Trabalho vai:
Calcular o valor real das indenizações (Materiais, Morais e Estéticas);
Verificar se o seu FGTS está sendo depositado corretamente;
Garantir que sua estabilidade de 12 meses seja respeitada.
Precisa de orientação? Nossa equipe é especialista em proteger trabalhadores que sofreram acidentes.